Sobre mulheres e bicicletas.

Na semana do Dia Internacional da Mulher, o grande destaque no mundo do ciclismo foi a saída das "Garotas do Pódio" no Tour de France - modelos com pernas de fora contratadas para "dar beijinho" no campeão durante a premiação de cada etapa da maior e mais tradicional competição de ciclismo do mundo. Uma cultura extremamente sexista que já não cabe mais nem em cerimonial - em pleno 2018, finalmente, algumas fichas começam a cair.

A moda feminina no século 19: espartilhos apertados e saias pesadas.



Felizmente, a bicicleta tem um lado bem mais cúmplice com as mulheres - mais do que muita gente imagina. Se alguma "máquina" fez algo pela emancipação feminina, com certeza foi a bicicleta. Muito além de dar liberdade e autonomia para os deslocamentos, ela foi a grande responsável pela mudança no vestuário feminino: a transição dos espartilhos que de tão apertados causavam desmaios por impedir a respiração, e dos longos e pesados vestidos que dificultavam inclusive o caminhar, para roupas mais justas, leves e confortáveis - praticamente permitindo a revolução social que inseriu as mulheres "à vida".

O "beijinho" protocolar das cerimônias de premiação das grandes Voltas.


Quando falamos sobre a história da bicicleta e o ciclismo clássico, os primeiros nomes que vem à cabeça são Gino Bartali, Fausto Coppi, Eddie Merckx. Mas raramente uma mulher é lembrada, vocês já repararam nisso? As conquistas femininas são bem menos valorizadas e divulgadas em todos os esportes - inclusive há pouca informação disponível sobre o ciclismo feminino. Então, para celebrar o nosso dia e homenagear o esporte que tanto amamos, queremos lembrar 3 mulheres (entre tantas!) que nos inspiram e que lutaram bravamente para conquistar seu espaço no ciclismo.

Annie Londonderry:  jornalista americana, primeira mulher a dar a volta ao mundo de bicicleta, em 1894. Aos 24 anos, ela partiu vestindo saia longa e uma blusa de gola alta, carregando consigo uma muda de roupa e uma pistola. Com tempo bom, Annie conseguia fazer até 16 quilômetros por hora. Antes de atravessar o continente, Annie trocou a saia longa por calças, para conseguir pedalar melhor.

Annie, primeira mulher a dar a volta ao mundo de bicicleta.


Alfonsina Strada: ciclista italiana, foi a única mulher a correr o Giro d'Itália, em 1924. Foram 3.613km em 12 dias com mau tempo e pedalando uma bicicleta de 20kg, nas mesmas condições que seus rivais do sexo masculino. Alfonsina foi uma dos 30 ciclistas que cruzaram a linha de chegada, dos 90 que partiram. Ela competiu sob o nome "Alfonsin Strada". O fato de ela ter superado muitos homens na competição contribuiu para que o Giro não aceitasse mais mulheres nas edições posteriores.


Alfonsina ou "o diabo de saiote", como era chamada pela imprensa, a única mulher a disputar o Giro d'Itália.


Beryl Burton: ciclista britânica, ganhou mais de 90 corridas, 7 títulos mundiais - alguns deles competindo contra homens - e definiu mais de 50 recordes ao longo de 20 anos, sendo que muitos deles não foram vencidos até hoje. Em 1967, bateu o recorde masculino de contrarrelógio com 446km em 12 horas (levou 2 anos até que um homem superasse sua marca). Em 1972, ela e sua filha Denise Burton, que também se tornou ciclista profissional, foram rivais no Campeonato Mundial de Ciclismo.   


Beryl Burton, a lenda do contrarrelógio britânico.


Hoje, depois de 200 anos da invenção da bicicleta, finalmente algumas fabricantes já estão se dando conta que "bicicleta de mulher" não é aquela bike de passeio com cestinho, quadro rebaixado e selim exageradamente largo, e que o "feminino" vai muito além de uma gama de cores. Mulheres querem pedalar na estrada, no estradão, na pista, no meio do mato. Querem espaço e respeito nas ruas. Praticar downhill, ciclocross, MTB, contrarrelógio. Fazer Audax ou frequentar grupos de ciclismo. E elas merecem boas bicicletas para isso.

Na Vila Velô, como empreendedoras, ciclistas e mulheres, continuaremos nos dedicando a fortalecer um "ambiente ciclístico" mais justo e confortável às usuárias da bicicleta, seja incentivando e apoiando o esporte feminino ou criando oportunidades para que elas aprendam mais sobre suas bicicletas e assim conquistem sua autonomia e independência. 

Neste 8 de Março, fortaleça o grupo de pedal feminino da sua cidade e vá pedalar com outras mulheres inspiradoras. Compartilhe, troque, aprenda, ensine. Juntas somos mais fortes!


Pedalada feminina de 100km de Volta a Ilha de Florianópolis, durante evento 100 Gurias 100 Medo, em 2017.

Feliz e aguerrido Dia da Mulher!

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